JBS investe US$ 37 milhões em centro de biotecnologia em Florianópolis

JBS investe US$ 37 milhões em centro de biotecnologia em Florianópolis abr, 28 2026

A gigante JBS, a maior produtora de proteínas do planeta, acaba de dar um passo agressivo para moldar o futuro da alimentação. Na última quarta-feira, 1 de abril de 2026, a companhia inaugurou o JBS Biotech, um centro de biotecnologia avançada instalado no Sapiens Park, em Florianópolis, Santa Catarina. O objetivo é claro: criar as chamadas "superproteínas" e ingredientes bioativos que podem mudar a forma como consumimos suplementos e alimentos nos próximos anos.

Mas não foi um projeto feito da noite para o dia. O centro é o resultado de quatro anos de planejamento e um investimento robusto de US$ 37 milhões (cerca de R$ 193 milhões). A cerimônia de abertura reuniu nomes de peso da companhia, como Wesley Batista, acionista da J&F, e Gilberto Tomazoni, CEO global da empresa. Para quem olha de fora, pode parecer apenas mais um laboratório, mas a escala da operação sugere que a JBS quer dominar a ciência molecular por trás da carne e de suas alternativas.

A ciência por trás das "superproteínas"

O comando da unidade está nas mãos de Fernanda Berti, engenheira química e doutora em Desenvolvimento de Processos Químicos e Biotecnológicos. Sob sua liderança, o complexo de 4 mil metros quadrados funciona como uma ponte entre a teoria acadêmica e a prateleira do supermercado. Com mais de 20 laboratórios especializados, a estrutura foi desenhada para levar a pesquisa desde a fase inicial até a validação industrial.

O time é enxuto, mas altamente qualificado: 28 profissionais, incluindo biólogos, veterinários, químicos e engenheiros. O foco está dividido em três pilares principais: saúde animal, nutrição de precisão e o desenvolvimento de proteínas funcionais. Aqui é onde entram as "superproteínas". Basicamente, a empresa está manipulando proteínas em nível molecular para criar ingredientes com funções específicas, que podem ser usados para melhorar a nutrição humana ou criar alternativas mais sustentáveis à carne tradicional.

Para conseguir isso, a JBS montou um arsenal tecnológico de dar inveja. O centro conta com sequenciadores de última geração e ferramentas de ciência de dados "ômicas" — que envolvem genômica, proteômica e metabolômica. Na prática, isso significa que eles conseguem mapear detalhadamente o perfil biológico e nutricional de um alimento, abrindo as portas para a nutrição personalizada (aquela feita sob medida para as necessidades de cada pessoa).

A estratégia global e a visão de negócio

Interessante notar que a JBS não está apenas tentando vender um novo produto, mas sim criar propriedade intelectual. Gilberto Tomazoni deixou isso bem claro durante o evento. Segundo o CEO, o objetivo é "desenvolver conhecimento e tecnologia, acelerar as provas de conceito e pavimentar o caminho para aplicações em escala industrial". Ele chegou a mencionar que já existem várias carteiras de produtos em desenvolvimento, embora tenha mantido o mistério sobre os detalhes de alguns estudos (estratégia comum em mercados altamente competitivos).

Essa movimentação faz todo o sentido quando olhamos para os números da companhia. Com uma receita de US$ 86 bilhões e presença em mais de 20 países, a JBS opera mais de 450 plantas de produção. Marcas como Seara, Friboi, Swift e Pilgrim's Pride dão à empresa uma capilaridade imensa. Ter um centro de inovação em Florianópolis permite que ela teste tecnologias rapidamente e as implemente em suas fábricas ao redor do mundo.

Um histórico de apostas em biotecnologia

Um histórico de apostas em biotecnologia

O JBS Biotech não é um experimento isolado, mas parte de um ecossistema de inovação que a empresa vem montando. Lembra da Genu-in? A JBS já havia inaugurado, em 2022, uma fábrica da Genu-in em Presidente Epitácio (SP), com um investimento pesado de R$ 400 milhões. A Genu-in é um exemplo real de como a empresa consegue levar algo do laboratório para a escala industrial.

Outro movimento estratégico foi a aquisição de 51% da BioTech Foods. A startup, fundada em 2017, já operava em San Sebastián, mas agora ganha um novo impulso com a construção de uma fábrica de mais de 20 mil metros quadrados, com investimento estimado acima de R$ 200 milhões. Juntando as peças, percebemos que a JBS está diversificando seu portfólio para não depender apenas do modelo tradicional de pecuária.

O impacto no mercado de proteínas

A grande questão aqui é a mudança no comportamento do consumidor. As pessoas estão buscando proteínas mais limpas, sustentáveis e funcionais. Ao investir em biotecnologia, a JBS tenta se antecipar a essa tendência. Se o mundo decidir migrar para proteínas sintéticas ou suplementos bioativos, a empresa já terá a tecnologia para liderar esse mercado.

O impacto imediato é a criação de um polo de excelência tecnológica em Santa Catarina, atraindo talentos e aproximando a ciência da indústria. Para o consumidor final, isso pode significar, em breve, alimentos que não apenas alimentam, mas que entregam benefícios específicos para a saúde, baseados em dados biológicos precisos.

Perguntas Frequentes

O que são as "superproteínas" desenvolvidas pela JBS?

São proteínas funcionais projetadas em nível molecular para ter propriedades específicas. Elas servem como ingredientes bioativos que podem ser utilizados tanto na indústria de alimentos quanto no mercado de suplementos, visando melhorar a nutrição e a funcionalidade do produto final.

Qual o valor total do investimento no JBS Biotech?

A JBS investiu US$ 37 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 193 milhões. Esse valor engloba a construção de mais de 20 laboratórios especializados em uma área de 4 mil metros quadrados no Sapiens Park, em Florianópolis.

Como esse centro se conecta com a Genu-in e a BioTech Foods?

O JBS Biotech atua na ponta da pesquisa e desenvolvimento (P&D), enquanto a Genu-in e a BioTech Foods representam a escala industrial e a comercialização. O centro de biotecnologia acelera a criação de novas tecnologias que depois serão produzidas em larga escala nessas outras unidades.

Quem é a responsável técnica pelo novo centro?

A unidade é dirigida por Fernanda Berti, que possui formação em engenharia química e doutorado em Desenvolvimento de Processos Químicos e Biotecnológicos, liderando uma equipe multidisciplinar de 28 especialistas.

Quando o centro foi oficialmente inaugurado?

A inauguração oficial ocorreu no dia 1 de abril de 2026, marcando a conclusão de um projeto de desenvolvimento que durou quatro anos.